"And I Would Walk 500 Miles, And I Would Walk 500 More"

  Quando eu era criança, minha mãe me deu um Atlas ilustrado com todos os lugares do mundo. Eu passava horas olhando aqueles lugares que pareciam ser fictícios de tão mágicos que eram e esperava conhecer cada um deles quando crescesse.
  Viajar é uma arte. Aqueles que não concordam com isso nunca tiveram o prazer de planejar uma senhora escapada do seu mundo/dia a dia para sentirem o que é estar diante de um lugar que nos faz esquecer dos problemas mesmo que por um breve momento.
  Particularmente, eu amo viajar. Provavelmente está no meu top 5 de hobbies. E fico muito feliz em falar que já fui para lugares mágicos, mesmo que nem sempre tais lugares ficassem distantes.
  Não vou entrar aqui no conceito existencial de viagem, quando, por exemplo, posso abordar "uma viagem de pensamento em que a pessoa lê um livro e se encontra em um mundo mágico e extraordinário"; ou "aqueles devaneios tão especiais e queridos que fazemos quase todos os dias antes de ir dormir ou em algum momento do dia que nos tiram da realidade da nossa vidinha pacata". Tais temas podem gerar postagens futuras, mas agora não estou interessada em falar sobre eles.
  Estou falando aqui daquela normal e literal viagem de escolher um destino, programar uma data, selecionar as pessoas para irem com você (ou não, essa parte é 100% opcional), arrumar as malas (outra parte opcional... se bem que, eu não recomendaria você sair da sua casa sem uma escova de dentes ou um par de roupa íntima) e ir!
  Mais do que o destino, eu gosto da jornada - que declaração poética clichê. A jornada que leva você até seu destino. Pode ser a pé, de ônibus, avião, carro, bicicleta, jegue... o que for. Quem não curte uma boa viagem de carro precisa um dia montar em um, pegar uma galera legal (familia, amigos, cônjugue, animal de estimação - o que estiver disponível), montar uma playlist que tenha 500 Miles como a primeira música e apontar um local no mapa pra ir visitar. Pode ser perto, não precisa ser muito longe, desde que seja aproveitado cada segundo.
  E a melhor parte da jornada é: cada jornada é única, e faz o destino ser tão admirado e reconhecido. Uma vez, eu peguei um voo de oito horas, porém, na ida, ele atrasou por três. Se eu soubesse dar estrelas eu teria dado uma quando cheguei ao aeroporto do meu destino de tão feliz que fiquei por ter simplesmente chegado lá. E mais! O voo atrasado foi só o começo: por causa do atraso, a conexão foi perdida e depois de mais uma hora de espera foi arranjado um ônibus. Ele percorreu em cinco horas um trajeto que um avião teria percorrido em cinquenta minutos.
  Mas dai é que está parte da magia também - chega um momento em que você para de se importar com o "chegar" e pensa "uma hora isso tem que acabar, e quando acabar eu vou ficar tão feliz que vou rir do momento em que estou agora... então que se dane, vou rir disso agora e depois!". Por isso, você para de se importar e fica feliz por estar na jornada. Não é demais?!
  E os primeiros momentos? Meu pai do Céu, é a coisa mais formidável do mundo! Você chegou! Você está lá! Aquilo realmente está acontecendo, não é um sonho, você está mesmo longe da sua casa e das suas coisas!
  E então, tem o choque.
  Você percebe que está longe - da sua casa, da sua família, dos seus amigos, do seu conforto e do seu contexto. Da medo? Muito, mas naquela hora, não importa. Você é pequeno e o mundo é enormemente desafiador e está querendo que você o desvende! Somos tão -inhos diante das coisas e constantemente nos esquecemos disso. Em parte não temos culpa, pois o nosso mundo (aquele que construímos todos os dias, constantemente com a nossa rotina, seja ela qual for, nos faz gigantes da nossa vida) é controlado por nós e o que realmente importa é o problema da vez. Uma viagem é um ótimo lembrete de que as coisas não são bem assim.

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